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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Congresso e STF criticam discurso de Bolsonaro


Um dia após Jair Bolsonaro reagir ao presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, e admitir a possibilidade de usar "pólvora" para resolução de conflitos, auxiliares do Palácio do Planalto disseram não haver arrependimento do presidente sobre as declarações que aumentaram a tensão com o democrata americano. O discurso inflamado desta terça-feira, 10, provocou perplexidade no Congresso e no Supremo Tribunal Federal, mas se transformou em meme de guerra nas redes sociais. "Exército brasileiro se aquecendo pra guerra contra os EUA", dizia um post publicado ontem no Instagram, com um vídeo que mostrava oficiais rebolando. Depois de Bolsonaro afirmar que, "quando acaba a saliva, tem que ter pólvora", o Exército virou piada. As Forças Armadas brasileiras foram expostas ao ridículo nas mídias digitais, com imagens de recrutas pintando meio-fio com cal exibidas ao lado de fuzileiros navais dos EUA. Oficiais da ativa disseram, reservadamente, que o episódio levou a comparações "completamente descabidas", como analisar o poderio bélico dos EUA e do Brasil. No Planalto, porém, a "explosão" de Bolsonaro foi tratada como "pontual" e a expectativa é de que ele volte a baixar o tom. A retomada do estilo "bateu, levou" ocorreu quatro dias depois de o Ministério Público do Rio ter pedido a cassação do mandato de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), por envolvimento no caso das "rachadinhas". Em cerimônia que tinha na plateia empresários do turismo, o presidente, sem citar Biden, partiu para o ataque ao comentar a ameaça feita pelo democrata, ainda na campanha, de aplicar sanções ao Brasil, caso não haja atuação do governo para combater a destruição da Amazônia. Disse que uma solução apenas diplomática pode não ser possível. "Assistimos um grande candidato a chefia de Estado dizer que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, não é, Ernesto?", perguntou ele ao chanceler Ernesto Araújo. "Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona."