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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Dário Meira em luto: morre Antônio Monteiro no dia em que completou 101 anos


A cidade de Dário Meira amanheceu triste com o falecimento de Antônio Manoel Monteiro. O mesmo estava internado a cerca de 15 dias no Hospital Geral Prado Valadares para tratamento de uma infecção na perna, causada por uma queda de um cavalo ocorrida há cerca de 10 anos. Ontem, 17/07, por volta das 21h15 ele teve uma parada respiratória, os médicos conseguiram reanimá-lo, todavia, o quadro voltou a se agravar e seu Antônio não resistiu e acabou falecendo na data em que completou 101 anos.  Segundo familiares, a  causa de sua morte foi insuficiente respiratória, broncoaspiração e hemorragia digestiva. 

Ano passado a cidade de Dário Meira e familiares celebraram o centenário de nascimento de seu Antônio Monteiro. Antônio Monteiro parte deixando o legado de bom homem. Amado por todos os dariomeirenses, ele deixa 11 filhos. Sua descendência prolongou-se em 52 netos, 123 bisnetos, 50 tataranetos e um pentaneto. No ano passado nasceram outros dois descendentes. "Foi o homem mais incrível que conheci e não é atoa que não o chamava de bisavô, mas sim de Pai, assim como todos os que são da família o chamavam, afinal ele foi nosso patriarca, construiu uma família grande, mas mesmo assim muito unida, é esse legado que ele deixa", disse Shelton, um dos bisnetos de Seu Antônio. A Prefeitura Municipal de Dário Meira decretou luto oficial de 03(três) dias. A família Monteiro agradece a todos pelos votos de consternação e informa que o sepultamento ocorrerá às 17h desta quarta-feira em Dário Meira. 

Foi no ano da graça de 1917, na região da Jibóia (atual Boaçu) na caatinga de Jequié, que seu Monteiro veio ao mundo. Seus pais se chamavam Fausto Manoel Monteiro e Carlota Maria de Jesus, tiveram nove filhos e muito labutaram para criá-los. Aos sete anos de idade, o garoto Antônio já auxiliava seu Fausto na armazenagem do fumo colhido na Fazenda Morro Redondo, de Jaime Barra, e na fabricação de adobe que acontecia ali mesmo, junto a um barreiro temporário. Com a idade de nove anos ajudava seu irmão Lídio a cuidar do gado, tirar o leite e outros afazeres. Tornou-se vaqueiro. Conduzia boiadas em longas distancias, andava descalço e só veio conhecer calçados (um par de sandálias) aos 21 anos de idade, quando casou com dona Lindalva Magalhães. 

Na família tem advogados, psicólogos, pedagogos ,administradores e nutricionistas, além de agricultores, comerciantes, policiais... Todos honrando o patriarca. Em sua juventude seu Antônio percorria as ruas de Jequié vendendo leite armazenado em um grande balde que ele carregava na cabeça e trazia de algumas léguas distante. Também foi amansador de burro brabo e gaba-se de nunca ter caído. Às vezes era o animal que ia ao chão, mas o peão estava sempre aprumado na sela sobre o lombo do bicho. Fazendeiros de Santo Antônio de Jesus e Nazaré das Farinhas requisitavam seus serviços nessa arte, onde um dos seus companheiros foi seu Nicinho, pai de Júlio da Fiat. Por duas décadas seguidas, Antônio Monteiro trabalhou com o fazendeiro Jaime Barra que se não lhe pagou indenização o recomendava como pessoa de caráter ilibado.

No ano de 1946 chegou em Cajazeira (atual município de Dário Meira), com a missão de gerenciar a Fazenda Ipiranga, propriedade de Bolivar Barreto, genro de Jaime Barra. Ali permaneceu por 21 anos consecutivos. Depois foi empreiteiro na Fazenda Lua Nova, de Salomão Amaral, ex-prefeito do município. Na primeira metade da década de 1950, após acumular algum dinheiro, Monteiro comprou a Fazenda Caixa de Areia, no município de Ibicui. Nesta propriedade de 63 hectares, criou gado, plantou cacau e outras culturas agrícolas. Outra atividade exercida por Antônio Monteiro foi a de açougueiro, em Dário Meira. 

Católico praticante, daqueles que reza o terço três vezes por dia, participa das missas e é devoto de todos os santos, Antônio Monteiro já realizou algumas romarias ao santuário de Bom Jesus da Lapa, sendo que em três delas o percurso foi feito a pé. A caminhada se prolongava por quase 40 dias, de ida e volta. No caminho muitas surpresas, até uma onça pintada com seus filhotes. Nessas viagens à Lapa, ele estava sempre acompanhado de sua mulher e do menino Zé Grilo que até hoje está em sua companhia e gerencia a Fazenda Caixa de Areia. Monteiro não tinha nenhuma promessa a cumprir, apenas a vontade de ver a imagem do Bom Jesus.

Antônio Monteiro já foi tema de um folheto de cordel, escrito pelo estudante Hugo Engeli Nolácio Lima, e recebeu o título de “Cidadão Dariomeirense” concedido pela Câmara Municipal, através de um projeto do vereador Zezito Evangelista. Da sua longa vida, o velho Monteiro diz ter sido um presente de Deus e explica: ”Nunca passei fome ou desfeita, nunca agredir, nunca apanhei, sempre vivi em paz, com as graças do nosso pai eterno. Ando contente em riba desse mundo”.  *Por José Américo Castro